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ED.010
Hoje a lua era espada
já embainhada
amanhã será escudo
Do que diz isso tudo?
Crescer, morrer, mulher?
e a negra nova?
Quem junta face à minha
contemplando decifrando a tentar
fraudando nossos próprios luzeiros?
Me diga quem musicou
o céu branco e azul
com o gralhar contínuo da serra elétrica,
o ronco branco do ar condicionado enferrujado
Quem pendurou essa espinha de peixe de ferro
no mesmo céu, me diga
e te darei um sorriso alaranjado
E a guerra gélida de mágoas irrompe
cigarros mandalas e outras armas
e isso é bom
descongela a dita paz
Bendita seja a desmemória
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deveria parar por aqui ..
Stretto Ponte
dar corda .. (entidade)
escrever o que ninguém dá valor .. (mencionar algo sobre valor)
depois
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FIM DA MUFA.1
Necrológio de Maria Severa Onofriana (1820 - 1846)
Severa faleceu – o fado, anjos da boca torta, uma mão de aranha o toque em sua guitarra. Boteco vulgar, fadistas e vagabundos na porta do cemitério, chora Mouraria, chora Alfama, a boca da bandurra, taberna fechada.
Severa, filha de Severo Manuel e Ana Gertrudes, a Barbuda, nasceu – 1820. Jesus chorou no berço. Severo pai, talhava o couro, batia e pregava solas de sapato – voltava para casa, numa segunda-feira, quando, numa esquina do Bairro Alto.
Puxaram-se-lhe o calcanhar.
Severo segurou a navalha na canhota. O fantasma, Lucena patife que frequentava o chão dos açougues, falou-se-lhe. O sapateiro fez das tripas de um carneiro, do traste velho dum sarrafo, uma viola.
Severa, filha da Barbuda, brincava com os fantasmas do pai. Pé de guerra – o céu esbaforiu-se numa tremenda confusão quando a fadista por lá entrou. Papai morreu já, mamãe abriu uma taberna na Mouraria.
Severa filha, deixa-te estar a meu lado e não mais te vás embora, num tamborete chorava as mágoas, mão na cintura, cantava o fado. O Cabrunco, a Besta Fera, frestou todas as vidraças. Severa hoje faleceu.
Porta fechada – Francisco de Paula e Castro, o Marquês de Marialva, velho cliente da Barbuda, tirou a cerca de um terreno baldio, fez mãe e filha pregarem uma tabuleta na Mouraria.
Severa – vida vã e sossegada sob uma fama malvada que a salpicava de lama. Quebrou-se-lhe o pulso numa briga, para um cirurgião a moça não foi, os ciganos passaram pelo bairro, Severa coum um deles se casou.
Não toques, minha filha, durante o dia a guitarra – o Lucena do velho Manuel advertia. Burrico no trote, Severa não quis saber de mais nada, a charada não se-lhe-abriu. Perdida no caminho, uma briga de garrucha e punhais, o Marquês de Marialva fechou as tranças das tropas. Presos – os ciganos queimados beijaram as pedras do chão.
Severa voltou para a taberna da Barbuda, Rua do Capelão, a vida de carnes e vinho, bolsa farta, pé dormente – a sua guitarra cantou.
Quando mamãe morreu o Marquês fez de minha viela a sua casa. Severa foi às touradas e à igreja, touca peruca e anéis. Os anjos tornaram-se fadistas já, São Pedro bateu a bengala. Sequestros, roubos e assassinatos, o céu virou um espeto, faz um ano, ó Mouraria, que a Severa faleceu.
Bêbada – toquem, fadistas, o fado vadio, o fado castiço, glabra tosse, manquitola – tuberculosa. Severa hoje faleceu. Serifa de pá, a gruta duma cova – anjos da boca torta batem palmas.
26 anos, solteira, meretriz – faleceu às 23 horas do dia 30 de Novembro de 1846 – entrou no cemitério às 16h e 30 de 1 de Dezembro de 1846 – sepultaram-na às 7 horas do dia 2 de Dezembro de 1846.
Sem preposições, fama ou enxoval, Severa barbada, a cigana Severa, Severa boêmia, foi enterrada hoje de manhã cedo no cemitério do Alto de São João, numa pobre vala. Qualquer.
Jesusmariajosé!, a aranha caranguejeira a trouxe-mouxe fia – o Marquês de Marialva, Francisco de Paula e Castro, morrera, na Rua do Arsenal, em frente à Câmara dos Vereadores por um mascate, um patife cigano, apunhalado.
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FIM DA MUFA.2
um [----- 5] putaria
MUFA
o braco da venus de milo agua quente navalha na aureola do peito agua morna pau de giz cu de gesso
dois [-- 2] lavra
O Rapto de Prosérpina (detalhe).
Gian Lorenzo Bernini (1598 - 1680). 1621.
3 [três ------ 6] borracharia
Já? – água fria – prende a respiração, putinha. Você acha que é machão, é? Bordoada no traseiro. Bico do peito – água fria – um balde. Pedaço de couro cabeludo.
Santa hóstia queimada vara santa cera de vela quanta flor. Prende a respiração, oh brenha torrada da Etiópia sacana [--------------------------- 27].
4 [-------------------------25] sacristia
– Bora rezar a missa agora, Judite – já está tudo pronto?
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muda o compasso .. (entidade)
carne: sacrifício e sexo
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FIM DA MUFA.3
(fazer mix dos textos de Vítor)
e fala no meio, confuso como de costume, de reencarnação ..
reencarnação em breve ..
em outro corpo ..
Kardec, Jesus, Oxalá ou Olodumaré .. (e cita pela última vez uma entidade qualquer)
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Gustavo K., pensativo e
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Nanda J. G., embaixatriz dos Leturiondos, garante que
por Vítor Rocha da Conceição, Vítor Noll, Vítor Gentil, Antoniela Minskin (LUTO)
ED.009
Ai, a abstração .. o que dizer dessa ponte maldita que nos leva do nada a lugar algum?! Mal sabem eles o quanto penei pra chegar até aqui. Um velho encurvado. Uma velha encurvada. Afora a figura literalmente ordinária, é impossível garantir .. contempla o mar, finca o cajado na areia, Aôj caminha resmungando meio que calculando o horário da maré .. não contempla o mar. Um iPad tira da bolsa, ela não sabe mexer naquele treco .. ele .. Aôj, o cajado na areia, sua função é apenas de conduzir a gente para outro plano sem sair do lugar .. morte da alma.
porvir sem fim : assim será : porvir sem vir : sempre um sim
E reclama de novo que há muito trabalho. Precisa agir com ligeireza. Aô deve estar por perto, aquele estúpido. De que adianta manter vivos os sonhos?! O cajado enterra na areia já molhada das ondas recém-recebidas, lusco-fusco .. Aôj por sua vez é quem cuida dos mortos de fato. Um velho, uma velha, criatividade é para os fracos, a maré, as pedras, as personagens que demoram de vingar.
peixe melancólico, o sal, o plural
um rol de sardinha
enlatada
anzol plúmbeo, a pereba, o carbúnculo, o cascão
entalado
na boca – fui fisgado, mamãe
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ursa maior
o clarão de um pacto, fogos estourados na água fria
a via láctea
escama por escama, rabo por rabo
risca o fim da faca, engasga a coroa dos molares, as peles da pele
filé de vermelho
o anzol fere a carne macia
Discutem todos acaloradamente ainda debruçados sobre a cama fervendo. É verão .. os Leturiondos dormem num quarto apertadinho debaixo de. Nunca souberam nada sobre a tal entidade que poderia fazê-los retornar ao mundo sobre-humano, pelo contrário, estão animados .. acham que hoje de repente pode haver um sinal determinante para vida deles dentro dessas linhas. A revista Mufa não se responsabiliza pela origem dos Leturiondos. Mas eles sentem – e isso é o bastante – que a qualquer momento podem se mudar para Stretto Ponte.
entre os feridos, os mortos
entre a ferida, o morto
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o pacto era de sangue. o sangue era de gente.
olho por olho. dente por dente.
olho no olho... dente na pele... pele com pele...
o sangue era do pacto.
o pacto era da gente.
Quando jovem Aôj na verdade era Siégdó, ou Simegdon – como preferirem os escritores. Vivia numa ilha desconhecida, mulher amadurecida com a solidão, feita de muito perfume e os seios já transbordando de tanta sensualidade contida. Veio a grande mudança, Siégdó explodira se espalhando pelo mundo derredor. Isso não vem ao caso, interrompe o irmão mais novo como quem espera ansioso pelo fim da história. Seus dias agora são prosaicos. Acompanha a maré, ainda que tenha permanecido só. Ela precisa ser rápida, ele .. lá vem, lá vem, entardecer o. Não pretende revelar sobre o círculo de interesses ou as malhas para onde cada personagem será levado se não confiarem em seu cajado. Mas garante que seja um caminho mais seguro seguir o barco em direção àquela morte mais branda, miúda, sem maiores desvios .. antes que o incorporador chegue sorrateiro e carregue todos os Leturiondos dali.
Contente-se com o debacle dos comuns! Um grito se escuta dentro da câmara que não existe no centro da cidade. Stretto Ponte anda cheia por esses tempos. Vítor é quem geralmente dá a marcação de cena. Outra vez, contente-se, vale a atenção para a ressalva, a Mufa não responde pelas ingerências de nenhuma entidade insatisfeita. O grito, a porta de entrada que também não existe, a pasmaceira aparente que reina sob o emaranhado de liames estreitos que não param de receber novos moradores .. e pronto .. e Aôj fica triste por não ter como participar dessa .. e Aô se interpõe antecipado maisumavezmente .. e os atores se perdem sem saber qual das vozes entoar. LAJE SEPULCRAL é o nome da esquete, começa assim .. mufa, a chapa quente.
la - Sois – ai de vós tabeliães e fariseus, hipócritas! – semelhantes aos sepulcros caiados. Por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos, de vermes, de chorume.
Mateus, 23-27.
je - Baforadinha – vai, barata filha da puta. Mosca azul (------------ 12) toma essa. Ostra plebeia. Pérola real.
Mão sacana, mão peluda – bate o chinelo, funâmbula, na parede do quarto, no chão da sala. Bate fechada na cara do freguês, perfura crânios, censura a língua do bardo, segura o gatilho
se - Saco preto, um vira-lata, até que o mel do chorume ferva, você (---- 4) pedra de gelo no fundo do copo
pul - Braço magricela, a saideira? a encerradeira? a fechadeira? O pé na bunda, nome e sobrenome.
Sepulcro cava picareta formidável bocejo da terra o buraco aberto (------------------ 18) Baulo Rocha Fernando Leandro de Lucena Breta Assada você Louis Armstrong Geise Arruda Odair Leturiondo Parente sua mãe até para o sustento das minhocas servirá (---- 4) toca de coelho
cral - ´bo chorá também – mosca de velório - ´bo chora chéu, mamá, flor de nhá faltá, bes morna, ´bo chorá também
por Antoniela Minskin, Gustavo Arruda, Gustavo Leturiondo, Nanda Leturiondo, Vítor Dudu, Vítor Leturiondo
ED.008
Tira Chapéu é o nome da rua. Não é. Um personagem caminhando sobre o asfalto. Não, não está. Não caminha sobre o asfalto. Esbarra em Gustavo Arruda, desculpa, cabeça para baixo, confabulando a revolução tácita que .. idealismo. É perto da Rua Chile. Sim, de fato. Ombro com ombro, desculpa, e o título lhe sobe instantaneamente na cachola, cabeça para baixo, penúltima encarnação, Rua Chile, o espírito de Idó com certeza acompanhava aquele rapaz totalmente tomado por embevecimento soturno, vai chover, não vai, um homem comendo maçã se aproxima de ambos com mais uma solidão a acrescentar, não acrescenta, é melhor seguir trabalhando .. revoluções não vão adiantar.
PENÚLTIMA ECARNAÇÃO
Coco Espumante
na
rua
do
Tira Chapéu
minha
cabeça
colada
ao
céu
Como que também tomados pelo espírito benfazejo de Idó, lenientes, se dirigiam ao subsolo em silêncio. Estamos agora na Idade Média. Eu pelo menos estou. A orgia fora interrompida abruptamente pelo ar aquele carregado e sombrio ao amanhecer do dia, a orgia .. ao subsolo. Ninguém mais corre nu ostentando as coxas pelancudas ou as barbas imundas atrás de, o rufião ainda tenta alegrar um pouco mais o regabofe, sua função. Idó, no entanto, havia sido mais forte dessa vez.
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Solitário, constrito, um sepulcro se avolumava na vila do Tira Chapéu. O que fiz de errado? Na Idade Média, eu pelo menos .. saudade daquele peito cabeludo me servindo como, quieto, prostrado sobre suas próprias lágrimas que refletem até o momento quantas almas enganei, de que adiantou? Deixa-se cair, Idô. Era dado início ali à malha do palhaço.
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Um monte deles dessa feita acotovelados dividindo espaço com os escombros da cidade sine loco, em Stretto Ponte há bastante água mas. A jovem que interpretaria o Gogó da Glória se descabela aos berros, histérica, pede silêncio .. Vítor diz que sim. Não diz. Logo adiante, dois outros peladões interrompem o ensaio para discordar se Idó e Idô são as mesmas entidades. E o Gogó, um monte deles, sangue nos olhos, quem nos trouxe até aqui? exijo .. clamam por Puj ultimoradamente. Vocês não exigem nada.
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Com os punhos agarrando o primeiro castiçal que avistara, a donzela com ares maliciosos se interpõe à mesa, queixo levantado, pezinho derrubando as cadeiras pesadas de milanos atrás, a essa altura não sobrara quase nada do banquete .. e ela ossinho de frango entre os dentes, sussurra (---- 4) Antoniela escrevera todos se retiraram abruptamente do castelo, fim da orgia, mas ela ..
tendo
que ir, falta
que voltar, parte
que dizer, emudece
que fazer, abandona
que ver, cega
que ouvir, grita
que largar, amarra
que separar, emaranha
que sucumbir, perdura
é na contramão que reza, ajoelha e chora.
Mas está novamente na Bahia. Agulhas lhe perfuram o joelho. Atrapalham a reza. Ela resiste indiferente aos efeitos do hiato monstruoso de tempo, faz outra prece para seu orixá. Não é um orixá. Levanta-se, beber água na fonte, derrubaram a Fonte Nova. Um litro de água, um casaco costurado à mão e um tantinho assim de barro já servem para fazer a oferenda a Eék, tricô .. as duas escritoras se telefonam para que possam comentar da nova edição da revista. Antoniela reclama sobre o discurso tela plana de, Nanda depois imprime o texto pra, na Fonte Nova nascente, Nanda reler meio que de soslaio solavanco sem entender muita coisa, e o guarda numa gaveta escondida de si. Prepara então a oferenda ao super-homem zelador, Eék, o alfaiate, sobra aquela brisa típica de primavera, é primavera .. ah, a Bahia.
rodoviária - Paletó chapéu e bengala – uma barata cascuda. O Terminal Rodoviário de Salvador.
Sarjeta turva. O esgoto a feira livre a casca do mamão. O bairro pobre. O Beiru. Lata velha. O Calabetão – catorze reais. Bosta preta. Porta aberta. Balangandãs de prata – o esgoto e a várzea de Salvador. O baba.
Os pivetes de Salvador. O fogo baixo de Salvador. O cheiro de mijo de Salvador.
brotas - Lata velha – enferrujada. Revólver. Letra torta, um ventilador frequenta os escombros. Navalha – toda molhadinha. Contratempo. Pistola.
Asas de um anjo barroco, o ventre, as nádegas de um anjo barroco. Passatempo – a burla e o espetáculo. Sem vergonha. Pano de prato – um real. O Gogó da Glória. Baby look – catorze reais. Tira-gosto. Peito cabeludo mamilo cadeira. Talha dourada – o esplendor da fera. O fulgor da Bahia.
Mãe e filha. Roy´s motel (------------- 13) que maravilha, cheguei lá.
rio vermelho - Boa noite, freguês. Vassoureiro. Mercado do Peixe. Camarão seco baratinho. Taturana. Olha o quibe. O tchan ralado.
O beiju a farinha de tapioca o caju a ostra o polvo a seriguela.
Polifemo y Galatea. A língua branda de Salvador. As cavernas gostosas de Salvador. A velhice ordinária de Salvador. As fechaduras misteriosas de Salvador.
estação da lapa - Lorota chute tapa na cara – um carrinho de mão frequenta o entulho. E quem é que vem de fora? Aladim e sua lâmpada maravilhoa? Simbad, o marujo? João Frederico de Oliveira Vieira? Ali Babá?
A Estação da Lapa. Perna de uma barata cabeluda. Vem, minha odalisca sem vergonha. Cale a boca e pense. Asa de uma barata rala. Demais.
Desligam o aparelho de rádio. Os atores discutem sobre a pronúncia de Idó, em Stretto Ponte (-- 2) sobre o retorno do Tchan também, mas essa é uma outra história. Quem vai querer os personagens do Vítor afinal? O ó de Idó se fala como se fosse on, e daí? Glória e João Frederico finalmente se comportam e voltam a respeitar a marcação da cena. Em Stretto Ponte há bastante água... cinco e seis e sete e oito... e um.
por Antoniela Minskin, Gustavo Arruda, Nanda Leturiondo, Vítor Dudu
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prólogo
Seguindo a toada da web, transformação constante, a revista não tem o menor pudor em se apropriar dos erros e revertê-los em outro algo. Ainda agregando escritores e suas invenções tresloucadas, dessa vez a proposta é imaginar quatro instâncias míticas que justifiquem a nova estrutura do conteúdo.
// Primeiro os próprios autores da revista, nossos super-humanos comparados a multiplicadores de lendas, fantasias ancestrais rabiscadas por esses semideuses de araque num singelo panteão, criando universos extremos e particulares.
// Depois esse tal universo caótico formado, ou deformado, pela transedição dos textos, uma natureza à parte.
// Terceiro a existência dos personagens, reais ou fictícios, e uma certa religião que também os ligue... para isso todos serão postos à recaracterização em Stretto Ponte, esse sítio, como se da lama se fizesse o homem.
// E depois o supernatural, aquilo sobre o qual não temos o menor controle... atores diversos interpretam esses personagens, histórias se confundem, leitores santos, espíritos nus.
Tratando mais objetivamente do assunto, a MUFA abre espaço a um lugar desconhecido chamado Stretto Ponte, regido conforme essa lei alegórica aí de cima, onde nada está absolutamente pronto, nem nunca estará.
editorial
mufa: transedições
ED.001-007 (capa)
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