A partir da edição 008 a revista MUFA, pra variar um pouquinho, ganha novos ares. Porém agora menos expansiva do que prática. As caixas foram condensadas em um só recipiente onde os escritores continuam, e continuarão, depositando suas silabinhas.
Algo sem rodeios ou melismas frufrus. Simples assim.
Respire, tome fôlego, conte até dez em alemão... entre sem pedir licença.
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[em miúdos, quem somos nós / nosso editorial]
o nome MUFA
Um tipo de forno refratário para cozer e transformar materiais variados: a palavra “mufla”, em sua forma mais popularmente conhecida, é usada na expressão "queimar a mufa"... que significa pensar demais, quebrar a cabeça, matutar, fundir a cuca, queimar a cachola, malhar os neurônios, e por aí vai.
Visite nosso miniportal - www.mufa.com.br
estrutura, os escritores
Essa é a equipe principal que fabrica os textos para a revista:
Fernanda Leturiondo - nandalp@hotmail.com
Gaúcha não praticante que de hoje procura régua e compasso por essas bandas da Bahia. Estuda saudades e fotografia, faz ioga quando acorda, acorda quando dorme, dorme quando consegue. É desligada, incompetente para hortas e telefones, e cidades muito pequenas, entre outras coisas. Prefere usar vestidos, precisa de café e silêncio duas vezes ao dia, e anda treinando com afinco para dar bom-dia sorrindo no elevador.
Antoniela Minskin
1980, num hospital clandestino ao sul de Montevidéu, beirando o estuário, via a luz pela primeira vez a moça que hoje costuma fazer doces tropicais e bolos, além de crítica literária, uma vez ou outra. Mas nunca havia escrito nada antes... até agora.
Vítor Aquino de Queiroz D’ávila Teixeira - queiroz.vitor@gmail.com
Louise, nhá benzedeira, disse que eu tinha já uns e etc., e algumas proteções espirituais. Pérola. Mamãe tocava uma valsa de Ernesto Nazareth quando a bolsa rompeu. Nossa Senhora do Ó. 1983. "Esses gólfãos de estrelas e galáxias -- triângulos triângulos Semíramis". Sou sagitariano, portanto.
Preguiçoso. 1m69 de altura. Teimoso. Graduado em história. Farrista. Tenho sete cicatrizes. Trompetista. Supersticioso. Crianção. Black or White. Comilão.
Esquerdista. Ranzinza. Carvão. Espero que Madame Louise seja um exemplo de profissionalismo e idoneidade.
Às vezes sonho que sou outros.
Gustavo Arruda - gustavoarruda7@hotmail.com
São Paulo, 1974. Publicou os livros “Dispara”, editora Antiqua, 2003; “O Céu de Todas as Cidades”, editora Quasi - Portugal 2000; “Nómada”, livro-cd com o citarista Alberto Marsicano, Santa Rosália Produções, 1999. Teve trabalhos publicados nas revistas: Mufa, Azougue, Sibila, Artéria, Etcetera, Fresta, entre outras. Organizou os fanzines “Aur´fera Rua” e “A Oxun de Shanghai”. Codirigiu o curta metragem “Cineasta Hotel” em 1998. Participou em 2009 do grupo especial de investigações sobre Iconografia e Imagens da Diáspora Africana no Centro de Estudos Afro Orientais (Ceao-Ufba). Vive na Cidade da Bahia.
Sim, o conceito da publicação agora é estimular um coletivo de escritores -- arte emaranhada -- cuja lavra será postada aqui como um processo conjunto e contínuo de desapego e troca sobretudo. Outros colaboradores eventualmente também podem pintar... que venham!
cadê a história?
Nosso objetivo está no meio da senda -- em como a flecha disparada vai sambar ante as intempéries --, e não na chegada. Que sejam entendidos por obras inacabadas projetos vindouros, sonhos que não vingaram, atividades em processo, fracassos, nostalgias, desistências, e tudo mais que não esteja ainda completo. Para abordar esses assuntos tão vastos os escritores estão livres a desenvolver linguagens de cultura, arte e jornalismo até não alcançar necessariamente até nenhum. Do rastro deixado pra trás e do excesso picado pra fazer a trilha no mato é que deve brotar a história aparentemente sem propósito. Pegando emprestado o termo do cinemão, road movie, nossa proposta é valorizar mais a viagem do que o destino... experimentemos pois esses sutis mecanismos da web.
as caixas
A revista é dividida em seções subtemáticas apresentadas alegoricamente em formato de caixas, umas dentro das outras funcionando como links-labirintos onde serão depositados os conteúdos alinhados ao tema central e a pequenas rubricas que encabeçam cada nova edição.
Ao criar essa espécie de envelope para os diferentes compartimentos do site, a intenção é buscar um estranho jogo composto por capítulos sincrônicos -- independentes, porém entrelaçados.
o cimento
Forma de produzir. Se nos perguntam sobre perfil editorial... escolha é a primeira palavra que vem na mente, e, apesar de totalmente imprevista, bastante simples. Há um ponto de partida dado -- fragmentos, sugestões e noções de limite distribuídos pelas caixas --, são as rubricas específicas para as edições correntes. Então dá-se vez ao procedimento real de produção dos textos -- os cruzamentos polifônicos de voz, intersecções e as demais criações absurdas -- por conta e risco dos escritores. Só a partir daí uma certa organização pretende ocorrer para analisar o caos... é claro... quebrando-o em pedacinhos e outra série de silabinhas irresolutas. Vários caoses.
Saudações,
Paulo Roberto Minskin - editor@mufa.com.br
o lamento das coisas - por Augusto dos Anjos
Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos
O choro da Energia abandonada!
E a dor da Força desaproveitada
- O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!
É o soluço da forma ainda imprecisa…
Da transcendência que se não realiza.
Da luz que não chegou a ser lampejo…
E é em suma, o subconsciente aí formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo! |