EDIÇÃO 007
Entrem nas caixas. Rubricas o aguardam, tesouro não. Labuta inacabada, terrarado.
cx.1
cx.2
cx.3
cx.4
cx.5
cx.6
cx.7
Não há prólogo.
Não há prólogo justamente porque eu não sei o que está/será escrito.
O prazo para receber conteúdos dessa vez é 19 de setembro, ok?
As caixas estão abertas.
Queridos escritores oficiais, desculpem a devassa.
Mas a vocês segue o mesmo esquema de envio e produção dos textos, ok?
Aos demais... impulso, asa e céu de brigadeiro. Fiquem à vontade para colaborar
(imagens também são bem-vindas!). Embora poucos devam/queiram voar.
PS: atenção ao duplo sentido de SAGA logo mais exposto nas rubricas!
se divirtam,
PCR
PPS: o outro editor saiu de férias, portanto aproveitem!
PPPS: por ora, e a pedidos, está mantido o trecho de Dostoiévski... todos esses prólogos irão para o lixo... banco de dados é para os fracos!
(in Notas do Subsolo - Fiódor Dostoiévski)
... Já as formigas têm um gosto de todo diferente. Elas possuem um edifício surpreendente no gênero, indestrutível para os séculos: o formigueiro.
As dignas formigas começaram pelo formigueiro e certamente acabarão por ele, o que confere grande honra à sua constância e caráter positivo. Mas o homem por sua vez é uma criatura volúvel e pouco atraente e, talvez, a exemplo do enxadrista, ame apenas o processo de atingir o objetivo, e não o próprio objetivo. E -- quem sabe? --, não se pode garantir, de repente todo o objetivo sobre a terra, aquele para o qual tende a humanidade, consista unicamente nesta continuidade do processo de atingir a meta, ou, em outras palavras, na própria vida e não exatamente no fim, o qual, naturalmente, não deve ser outra coisa senão que dois e dois são quatro, isto é, uma fórmula; mas, na realidade, dois e dois não são mais a vida, meus senhores, mas o começo da morte. Pelo menos, o homem sempre temeu de certo modo este dois e dois são quatro, e eu o temo até agora. Suponhamos que o ser humano não descanse de procurar semelhante fórmula: ele atravessa os oceanos a nado, sacrifica a vida nesta busca, mas, quando encontrá-la realmente... juto por Deus, tem medo. Bem que ele sente: uma vez encontrado isto, não haverá mais o que encontrar. Operários que terminam uma tarefa com certeza recebem dinheiro e vão a um botequim, acabando no distrito policial -- bem, aí estão ocupações para uma semana. Mas o homem para onde irá? Percebe-se nele constantemente algo de inábil toda vez que atinge tais objetivos rasos. Ele ama o ato de alcançar, mas, alcançar de fato, nem sempre. E isso, está claro, é ridículo ao extremo. Numa palavra, estamos arranjados de modo cômico; em tudo isto, provavelmente há um trocadilho. mas dois e dois são quatro é, apesar de tudo, algo totalmente insuportável. Dois e dois são quatro constitui, a meu ver, simplesmente uma impertinência. Dois e dois fica feito um peralvilho, atravessado no vosso caminho, as mãos nas cadeiras, cuspindo. Estou de acordo em que dois e dois soa admirável; mas, se é para elogiar tudo, então dois e dois são cinco também me parece, às vezes, uma coisinha muito simpática... e seis, sete, dezenove.
E por que estais tão firme e solenemente de que é vantajoso para o homem apenas o que é normal e positivo, em suma, unicamente a prosperidade? Não se enganará a razão quanto ás vantagens? Talvez o homem não ame apenas a prosperidade? Talvez ele ame, na mesma proporção, o sofrimento? A frustração? O fracasso? Por que não?
Talvez o sofrimento lhe seja exatamente tão vantajoso como a prosperidade? Apaixonamo-nos terrivelmente pelo sofrimento, isto é um fato. No caso, é inútil recorrer à história universal; interrogai a vós mesmos, se sois homens e vivestes um pouco sequer. E, quanto á minha opinião pessoal, creio que apegar-se em amores somente à prosperidade é, de uma forma ou de outra, até indecente. Bem ou mal, quebrar ás vezes algo é também muito agradável.
Estou certo de que o ser humano nunca se recusará ao sofrimento autêntico, isto é, à destruição e ao caos. A derrota... mas isto significa a causa única da consciência. Ainda que tenha afirmado no início que a consciência, a meu ver, é a maior infelicidade para o homem, sei que ele a ama e não a trocará por nenhuma outra satisfação. A consciência, por exemplo, está infinitamente acima do dois e dois. Depois do dois e dois, certamente, nada restará, não só para fazer, mas também para conhecer. Tudo o que será possível, então, será unicamente calar os cinco sentidos e imergir-se na contemplação. Bem, com a consciência obtém-se o mesmo resultado. Também não haverá nada a fazer. Mas pelo menos poderemos espancar a nós mesmos, de vez em quando, e isto, apesar de tudo, infunde ânimo. Embora retrógrado... é sempre melhor que nada.
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